mergulhem-se

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Espelho - Sylvia Plath

Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo no mesmo momento
Do jeito que é, sem manchas de amor ou desprezo.
Não sou cruel, apenas verdadeiro —
O olho de um pequeno deus, com quatro cantos.
O tempo todo medito do outro lado da parede.
Cor-de-rosa, malhada. Há tanto tempo olho para ele
Que acho que faz parte do meu coração. Mas ele falha.
Escuridão e faces nos separam mais e mais.

Sou um lago, agora. Uma mulher se debruça sobre mim,
Buscando em minhas margens sua imagem verdadeira.
Então olha aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e a reflito fielmente.
Me retribui com lágrimas e acenos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã seu rosto repõe a escuridão.
Ela afogou uma menina em mim, e em mim uma velha
Emerge em sua direção, dia a dia, como um peixe terrível.

5 comentários:

trak amorim disse...

ahhh é lindo!!! essa mulher é demais, mas sabe que canção de amor da jovem louca me deixou em pedacinhos? sério, doeu, mas anne sexton me causou dores tbm...dores que tenho que dosar, se leio demais, já viu né...

Julia disse...

Pois é. Coisa dos nossos universos densos, (tem que dosar, embora seja um pecado, às vezes é a única forma de aguentar).

Homenagem pra você. Aos poucos a gente põe mais delas duas por aí,...

trak amorim disse...

pois é, essa adorável densidade que ás vezes é tão cruel ( adoro cometer esses pecados, mas aguenta a tensão depois rs)

merci. sim, tenho uma lista de pedidos rss ;P

aninha disse...

(esse texto me lembrou o fefão explicando o funcionamento de saturno)

Julia disse...

nada mais tão saturno!