mergulhem-se

sábado, 5 de março de 2011

E...

Não sei se eu preciso colocar tudo o que leio aqui. Apesar desse blog se parecer muito com esta espécie de "autobiografia da leitura". Algumas coisas eu não ponho. (Muito também por não saber o que dizer, embora na maioria eu acabe dizendo mesmo assim). Mas seria bom que vocês lessem mais Hemingway que eu andei relendo e percebi mais uma vez como é fundamental. E o "E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques", escrito pelo Jack Kerouac junto com o William S. Burroughs, a partir de uma história que eles acompanharam de um assassinato de um amigo em comum. Bom.

Até.

8 comentários:

Anônimo disse...

Ler com raiva, com a fome da solidão.
Ler com ternura, na planície dum colchão.
Ler com liberdade, nas asas da imaginação.

Um beijinho, Júlia (pois, gosto do acento agudo)

Julia disse...

(mesmo que eu não tenha um? acento agudo)

Anônimo disse...

Sim, é como se fosse um risco de chuva ou um traço de avião.

Julia disse...

Particularmente gosto mais dos riscos de chuva e dos traços de avião. E Júlia, para mim, parece ser uma outra pessoa que não tem nada a ver comigo.

Anônimo disse...

Allen Ginsberg, William Burroughs Jack Kerouac e, fugindo da linha beat mas acompanhando os marginais, Charles Bukowski, tinham um único talento, não eram grandes escritores, não tinham talento para criarem grandes histórias, nem perspicácia para explorar profundamente a alma humana, mas sabiam exatamente o que a juventude de antigamente e principalmente a de hoje gosta de ler, falar e ouvir.

Julia disse...

Acredito que, eram grandes escritores na medida em que conseguiam resignificar a vida como poucas pessoas fazem, pequenas coisas abrem universos imensos, detalhes que passariam insignificantes de um cotidiano aparentemente vazio...e mesmo sem inventar mundos fantásticos (como Borges e outros), a expressavam de forma com que a gente pudesse sentir exatamente o que eles estavam falando. Não acredito que as grandes histórias sejam necessariamente atreladas à grandes literaturas. Paulo Coelho, por exemplo, pra mim, é um grande contador de história, mas não um grande literato. E acredito que sim, é o que os jovens - ma não só - gostavam de falar e ouvir, porque evocam outra forma de absorver a vida (e consequentemente a arte - sendo impossível separar uma da outra). Mas é claro, se eles fossem somente bons vivãs, não estariam aí, nos olhos e na boca de tanta gente. Acredito que, o caminho aqui, com estes escritores, é mais importante do que o lugar para onde se aponta.

Anônimo disse...

Evocam uma outra forma de absorver a vida... diria que sim, em On The Road de Kerouac talvez. Quero dizer que não desgosto desses escritores, somente de Burroughs.
A juventude (universitária brasileira) porém venera esses tipos de escritores por um motivo muito menos nobre que esse, venera simplesmente para manter a pose, aquela pose superior e ao mesmo tempo marginal que parece ser um misto de Bukowski com Janis Joplin temperado com certa cultura popular brasileira. E se venho escrever isso aqui é porque de todas as poses que conheço, esta é de longe a mais irritante.
Quanta a Borges, é chatíssimo a forma como ele escreve, como diria Dostoiévski: "Em vez de escreverem algo de útil, agradável e consolador, comprazem-se em rebuscar as mais pequenas coisas deste mundo para divulgá-las depois por aí."
Você disse: "Não acredito que as grandes histórias sejam necessariamente atreladas à grandes literaturas.", certamente não são, mas as grandes literaturas são, para mim, necessariamente atreladas a grandes histórias. Terminando, concordo que o caminho é mais importante do que o lugar para onde se aponta, pouco importa para onde vamos se o caminho for coberto de flores.

Julia disse...

Já caímos nas searas das afinidades pessoais. Creio que não há mais o que dialogar.

Obrigada pela visita,

Julia