mergulhem-se

sexta-feira, 21 de março de 2008

Pasmo - Sebastião da Gama














Nessas noites de morna calmaria
em que o Mar se não mexe o Arvoredo
não murmura, pedindo o Sol mais cedo,
que o resguarde da fria Ventania;

em que a Lua boceja, se embacia,
e as palavras estagnam, no ar quêdo,
noites podres - até chego a ter mêdo
de me volver também Monotonia.

E então sinto vontade de atirar
meu corpo bruto e nu contra o espanto
da Noite, a ver se o quebro e vibro, enfim;

cair no lago morto e acordar
os cisnes que adormecem de quebranto...
.......................................
Mas só caio, afinal, dentro de mim.

Um comentário:

ângela f. marques disse...

sabe bem ler aqui um poeta português de uma sensibilidade tão particular como a de sebastião da Gama.
obrigada.